14 de setembro de 2018

Cientistas descobrem o desenho abstrato mais antigo feito por humanos

Cientistas descobriram o desenho abstrato mais antigo na Caverna Blombos, na África do Sul, em um pedaço de rocha siliciosa datada de 73.000 anos atrás.

A arte é pelo menos 30.000 anos mais velha que os primeiros desenhos abstratos e figurativos anteriormente conhecidos.

Quando começamos a “decorar” objetos com desenhos?

A tarefa de analisar as primeiras produções gráficas não é nada fácil. Talvez, o que hoje interpretamos como representações figurativas poderiam ser apenas rabiscos antigos que não tinham nenhum propósito especial.

Por muito tempo, os arqueólogos estavam convencidos de que os primeiros símbolos surgiram quando o Homo sapiens colonizou áreas da Europa, há cerca de 40 mil anos. No entanto, descobertas arqueológicas recentes na África, Europa e Ásia sugerem que a criação e o uso de símbolos começaram muito antes.

Por exemplo, a mais antiga gravura conhecida é um ziguezague esculpido na concha de um mexilhão de água doce encontrado em Java, dentro de um estrato arqueológico de 540.000 anos.

Além disso, objetos usados como adornos pessoais foram desenterrados em vários sítios arqueológicos na África que datam de 70.000 a 120.000 anos atrás.

O novo estudo

No novo estudo, uma equipe internacional que incluiu cientistas da Universidade de Bordeaux, da Universidade de Toulouse-Jean Jaurès, do Centro Nacional da Pesquisa Científica francês e do Ministério da Cultura da França explicou que o mais antigo desenho conhecido foi feito com um pedaço de ocre, utilizado como um lápis.

O rabisco foi identificado na superfície de um pequeno pedaço de rocha siliciosa (silcrete), enquanto os pesquisadores analisavam ferramentas de pedra coletadas durante uma escavação na caverna sul-africana. O fragmento de silício vem de um estrato arqueológico de 73.000 anos, e tem um padrão cruzado composto de nove linhas finas.

Um grande desafio metodológico foi provar que essas linhas foram deliberadamente desenhadas por humanos. Para chegar a essa conclusão, membros do estudo especialistas em análise química de pigmentos reproduziram as mesmas linhas usando várias técnicas: tentaram desenhar com fragmentos pontudos de ocre, aplicaram diferentes diluições aquosas de ocre com um pincel etc.

Em combinação com os experimentos, aplicaram técnicas de análise microscópica, química e tribológica e compararam seus desenhos ao original antigo. As descobertas confirmaram que as linhas foram desenhadas intencionalmente com um objeto pontiagudo em uma superfície primeiramente alisada através de fricção. O padrão constitui, portanto, o primeiro desenho conhecido.

Com propósito

O estrato arqueológico no qual o silcrete jazia continha também muitos outros objetos com marcas abstratas, incluindo fragmentos de ocre que apresentavam gravuras muito semelhantes.

Estes achados demonstram que os primeiros Homo sapiens nesta região da África utilizavam diferentes técnicas para produzir desenhos similares em diferentes materiais, o que sustenta a hipótese de que eles serviam a alguma função simbólica.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature.


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